sexta-feira, 11 de maio de 2018

Com A Guardiã Rosa Negra No Jardim Dos Ossos


Pombagira Rosa Negra - Felipe Caprini


Há ossos por lá de todo tipo, brotando do solo e formando árvores de curiosíssima artística estrutura. Ossos que chegam a ser colunas de memórias muito mais antigas do que a própria Terra. Ossos que vibram emitindo sussurros que exprimem suas realidades como relíquias oriundas de muitos mitos e lendas lançados ao Vazio. Ossos que tentam gritar seus perdidos nomes, mas são calados pelo amontoado de rosas negras inumeráveis crescendo ininterruptamente no solo. E a Guardiã Rosa Negra, Guardiã do Jardim Dos Ossos, parte do Grande Cemitério De Todas As Almas, me apresentou cada árvore, infinitas árvores ultrapassando o firmamento, e retirou alguns crânios dos galhos para contar-me a quem pertenceram. E de sete deles, Ela me permitiu falar. E de sete deles, poeticamente, abaixo irei falar.


Um crânio
Cuja aparência
Lembra a de
Destruídos tesouros
Que se acumulam
Para serem apenas
Desvalorizados esforços...

Era o crânio
Do mais egoísta
E mesquinho rico
Que já rastejou
Pela Terra.

Um crânio
Cuja aparência
Dançava entre
Os miúdos resquícios
De uma prepotência
E as ruínas
De uma arrogância
Reduzida a pó
Levado pelo vento...

Era o crânio
De um rei,
Um dos muitos reis
Que na Terra
Foram grandes tiranos
Conquistadores,
Sanguinários
E cruéis.

Um crânio
Cuja aparência
Denotava pesados
Fardos acumulados
Nomeando apelos
Muito desesperados
Pelo alcance
De uma nova chance
Entre os encarnados…

Era o crânio
De um neutro
Entre multidões,
Que nunca ajudou
Quem tinha
A ajudar,
Que nunca se moveu
A favor de quem
Precisava ser movido
E que nunca
Se comoveu diante
Do choro alheio.

Um crânio
Cuja aparência
Era limbo de remorsos
Adquirindo incessante
Uma lista cada vez
Mais titânica
Que lhe recobrava
A consistência entre
A lama em rios
E o esgoto
Em montanhas…

Era o crânio
De um soldado,
Estuprador fardado,
Torturador fardado,
Assassino fardado
E pequeno tirano
Fardado
De uma época
De ferro
Terrestre.

Um crânio
Cuja aparência
Se lamentava,
Se escondia
E se limitava
A escorregar por
Muitas paredes
De moradias
Empoeiradas…

Era o crânio
De um discípulo
De erradas doutrinas,
Que dominou
E enganou milhares,
Que roubou
E abandonou milhões,
Com sua falsa crença
E inexistente fé
No Maior
Dos Maiores.

Um crânio
Cuja aparência
Revelava a estranha
Estrutura de um
Emaranhado de vermes
Desfilando gloriosos
Por suas rachaduras
Mais internas
E quase impossíveis
De serem
Visualizadas…

Era o crânio
De um caçador
De animais,
Que em algum
Passado próximo
Desta era humana
Contemporânea,
Festejava a morte
De cada
Irmão Maior
Da Humanidade
Com toda alegria
E toda satisfação.

Um crânio
Cuja aparência
Se reduzia a ser
Polarizadora de
Elementos rastejantes
Entre momentos
Que se desfazem
E refazem
Sem nunca estacionarem
Em uma
Possibilidade
De conclusões…

Era o crânio
De um seguidores
De mórbida ideologia
Que se tornou
Grande arauto
De perversas obras
Que ergueram
O maior de todos
Os holocaustos,
Terrível evento
Apagado pelo Alto
Da Terrestre
Memória Coletiva.

E cada crânio
No Jardim Dos Ossos
Tem uma
Específica história,
Tem um
Específico significado,
Tem um
Específico sentido,
Ao ficar nos galhos
De cada árvore
Como frutos
Que se
Autoconsomem.

A Senhora
Rosa Negra
Colheu sete rosas
E me deu
Como
Sete Mistérios
Que eu deveria
Saber como
Um dia usar
A favor da Verdade
Do meu
Ancestral Originador,
Omulu Imperador
Da Geração.

A Senhora
Rosa Negra,
A Primeira
Rosa Negra,
Ainda me mostrou
Os crânios
De muitos outros
Homens
E mulheres
Do Ontem,
Do Hoje
E do Amanhã
Nascendo como frutos
Naquelas árvores.

A Senhora
Rosa Negra
Me disse o nome
De todos aqueles
E aauelas
Cujos crânios
Balançam no
Jardim Dos Ossos
Ao passar do
Sagrado Vento
Da Morte.

A Senhora
Rosa Negra
Me disse
Cada nome
E na sepultura
De meu Ser
Guardo cada um
Deles
Como o maior
De todos os
Mistérios
Dos meus
Inomináveis Mistérios.

SALVE
ROSA
NEGRA!!!

SALVE
ROSA
NEGRA!!!

SALVE
ROSA
NEGRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!

LAROYE POMBOGIRA!!!


E eu vi as rosas negras balançadas pelo Vento. E eu vi as rosas negras abraçadas pelo Vento.
E eu vi as rosas negras abençoadas pelo Vento.
E eu vi as rosas negras beijadas pelo Vento.
Sem julgamentos. Sem execrações. Sem gargalhadas. Sem zombarias. Como Guardiã Do Jardim Dos Ossos, a Pombagira Rosa Negra cumpre seu Sagrado Papel conforme as severas
e duras Leis do Sublime Pai Omulu. Cumpre cuidando de cada crânio que dialoga com mais Verdades do que nós, encarnados, possamos imaginar ou alcançar. Cumpre revelando incansável e admirável empenho em administrar um Jardim que concentra tudo que em vão a Terrestre Humanidade moldou. Cumpre cheia de compaixão pelas Almas que um dia habitaram cada crânio e hoje estão vagando sem rumo pelo Umbral Das Almas Perdidas.

Inominável Ser
QUE CAMINHOU
COM UM RUMO
NO JARDIM
DOS OSSOS
GUIADO PELA
PRIMEIRA
ROSA NEGRA




Ponto de Pombogira - Rosa Negra



É Negra, É Soberana E Poderosa
É A Mais Bela Das Rosas 
Que Encantam O Meu Jardim


Lá Na Calunga 
É Luz Que Nos Dá Caminho
Nunca Nos Deixa Sozinha 
Sempre Pronta Para Nos Ajudar


É Rica De Magia E De Beleza 
É Fonte De Alegria 
Aonde Houver Tristeza


Sua Missão É Praticar A Caridade
Demonstrando Lealdade
Trabalhando Para O Bem


Ajudando A Quem Precisa
E A Quem Não Precisa Também


Mas Se Você Não Acredita
Um Dia Há De Acreditar
Quando Passar Pela Calunga
E A Rosa Negra Estiver Lá 


Ri Qua Qua Qua
Ri Qua Qua Qua
É Pombogira Rosa Negra
Na Calunga A Gargalhar 







quinta-feira, 10 de maio de 2018

Com Um Inominável Malandro Na Grande Lapa



Boêmios que se fazem como partes de tudo a se mover na noite; navalhas, punhais e adagas em magias sob a luz do luar; a dança como um constante festejo ao Coração que bate dentro da Grande Noite; a essência dos elementos trabalhados em todos os desafios posicionados; a admiração pelo trabalho em um local dos mais sagrados: a amada Grande Lapa. Mas, Esta não é a conhecida Lapa dos encarnados, é a Lapa Invisível, o Grande Palco dos Malandros e das Malandras, Encruzilhada Espiritual onde toda a Malandragem tem Seu Ponto De Poder Firmado. E foi lá que encontrei um Inominável Malandro, gingando e caminhando entre seus Irmãos Em Malandragem, com um cigarro na mão esquerda e um copo de uísque na mão direita. E com um sorriso que queima almas perturbadas, Ele me contou como trabalha nas Terrestres Trevas. E nos versos a seguir, transmito o que daquele respeitadíssimo Malandro ouvi.



Bandos de degenerados,
Bandidos
Altos,
Bandidos
Baixos:
Todos passam
Por suas mãos,
Recebendo
Encaminhamento
Ou
Recebendo
A prisão.

Mulheres perdidas,
As perdidas
Por opção,
As perdidas
Sem opção:
Todas bebem
De seu uísque,
Algumas
Continuando na
Perdição,
Outras
Chorando pedindo a
Salvação.

Desviados do Caminho,
Feiticeiros
Assassinos,
Rebeldes
Espirituais:
A cada um
Ele aconselha,
Queimando
Com Seu cigarro
Os agressores,
Orientando
Com as cinzas
Do mesmo cigarro
Os que começam
A querer mudar
De teores.

Kiumbas
Carregando
Desgraças,
Kiumbas
Carregando
Maldições,
Kiumbas
Carregando
Misérias:
Eles a todos
Arrasa
Com seu sapateando,
Fazendo cada um
Ajoelhar-se
Diante da Espada
De Ogum
Em Seus olhos.

Magos Negros
Conscientes
De suas Obras,
Magos Negros
Inconscientes
De suas maldades:
Contra cada um,
Ele trabalha
De um jeito,
Com muitos
Sendo na
Porrada,
Com outros
Sendo na
Lábia.

Drogados
Que ainda buscam
Seus vicios,
Bêbados
Que ainda buscam
Qualquer garrafa:
Ele garante
A cada um
A ajuda
Necessária,
Guiando com
As mãos
E as palavras
Em direção aos
Mestres
E Mestras
De cachimbo
Da Grande Senzala.

Errantes
Enlouquecidos,
Eremitas
Destroçados,
Solitários
Deteriorados:
Com Sua
Magia,
Escondida debaixo
Do chapéu
Que apenas retira
Diante de um
Fino trabalho,
Ele abraça
A cada um
Com respeito
Dos mais
Caridosos.

Assim me disse
Como trabalha
Aquele Inominável
Malandro,
Um Trabalhador
Da Grande Lapa,
Na Eterna Noite
Que por lá
Governa.

Fumei
O cigarro Dele,
Bebi
Do uísque Dele,
Apertei
Sua mão direita
Firme como
A maior rocha
Do Invisível.

Ele
Gingou para todas
As esquerdas,
Ele
Gingou para todas
As direitas.

Ele
Gargalhou por todas
As encruzilhadas,
Ele
Gargalhou por todos
Os abismos.

Ele
Está em todas
As fossas,
Ele
Está em todos
Os poços.

Ele
Trabalha no meio
Do incêndio,
Ele
Trabalha no meio
Das sombras.

É um Malandro
Repleto de
Obras,
É um Malandro
Repleto de
Responsa.

SALVE MALANDRAGEM!!!

SALVE MALANDRAGEM!!!

SALVE MALANDRAGEM!!!

SALVE MALANDRAGEM!!!

SALVE MALANDRAGEM!!!

SALVE MALANDRAGEM!!!

SALVE MALANDRAGEM!!!

SALVE MALANDRAGEM!!!

SALVE MALANDRAGEM!!!



Assim foi tudo na Grande Lapa. Assim continua sendo tudo na Grande Lapa. Assim continuará sendo tudo na Grande Lapa. O Inominável Malandro fumando o cigarro que esclarece desencontradas almas. O Inominável Malandro bebendo o uísque que harmoniza perturbadas almas. Um Trabalhador dançando entre as Trevosas Estradas, sem medo dos que urram, berram e rangem os dentes. Um respeitoso e respeitável Trabalhador do Grande Guerreiro, levando a Espada Deste até o mais fundo das Trevas. E cortando quem tem que cortar. E defendendo quem tem que defender. E resgatando quem tem que resgatar.


Inominável Ser
QUE NA
GRANDE LAPA
APRENDEU MUITO
COM UM
INOMINÁVEL
MALANDRO