terça-feira, 22 de agosto de 2017

Na Eterna Balada De Todas As Nossas Desgraças


Art by Harumi Hironaka


O som mais deturpante entre
os ruídos mais degenerados
de nossa sociedade desencontrada
ecoam nos asfaltos ensanguentados
nos pisos destroçados
e nos tetos quedantes de nossas
desgraçadas moradas


Muito se fala em uma solução
mas
a Deusa Desgraça aponta para
o próprio abismo que para nós
moldamos


Muito se fala para termos fé
mas
a Deusa Desgraça assobia olhando
para as cruzes onde depositamos
nossos ídolos dourados


Muito se fala em criarmos condições
mas
a Deusa Desgraça começa a dançar
sobre nossos antigos e novos e futuros
planos contra a decadência terrestre


Enquanto falamos
Ela Dança


Enquanto teimamos em ficar falando
Ela Dança


Enquanto apenas falamos
Ela Dança


Enquanto insistimos nas falas
Ela Dança


E Dança


E Dança


E Dança


E Dança


E Dança


E Dança


E Dança


E Dança


E Dança


E Ela
Como Dançarina
faz uma festa tremenda
resultando em mais
escombros sobre nós


E Ela
Como Dançarina
faz outra festa tremenda
realizando outros escombros
sempre sobre nós


E Ela
Como Dançarina
faz todas as festas tremendas
que fazem dos escombros
as nossas verdadeiras camas


Mais rebolativa
do que qualquer Anitta
mais provocativa
do que qualquer Beyoncé
mais sedutora
do que qualquer Rihanna
mais destruidora
do que qualquer Melancia
a Desgraçada Deusa
Que Dança
arremete contra nós
desgraçados dançarinos menores
e todo este nosso
desgraçado planeta a dançar
eternamente em direção ao
Fim
com sorridente frescor
e inabalável ardor


Não escapamos de Seus Passos


Não nos afastamos de Seu Rebolado


Não deixamos de ver Seu Sapateado


Não paramos de dançar ao Seu Lado


Inominável Ser
DANÇANDO
UM DESGRAÇADO
TANGO
COM A DEUSA
DESGRAÇA




segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Mortais & Imortais


Katharina Barth


Os pedaços de carne morta
dos Mortais
e a eterna beleza esplendorosa
dos Imortais:
a efemeridade dos passos
dos Mortais
e a eternidade da Estrada
dos Imortais;
o fim de toda respiração
dos Mortais
e o Grande Ar nos pulmões
dos Imortais;
as falhas que se acumulam
dos Mortais
e os sucessos ininterruptos
dos Imortais;
as chagas vulcânicas em rebeldia
dos Mortais
e a saúde inderrubável serena
dos Imortais;
as quedas de todas as escadarias
dos Mortais
e as subidas na Grande Escadaria
dos Imortais;
as desgraças aos pés
dos Mortais
e as graças aos pés
dos Imortais;
as misérias nas mãos
dos Mortais
e as riquezas nas mãos
dos Imortais;
as maldições nos rostos
dos Mortais
e as bênçãos nos rostos
dos Imortais;
as dores nos corações
dos Mortais
e a paz nos corações
dos Imortais;
o desespero na mente
dos Mortais
e a tranqüilidade na mente
dos Imortais;
a solidão nas almas
dos Mortais
e a companhia da Unidade
dos Imortais:
as diferenças gigantes
entre os
Povos desta Criação
onde vivem atualmente
todos os Mortais
& Imortais.

Porém,
todos estão unidos
em um Útero
que Antes De Tudo
Existia.
Útero
Que Ainda É
Realizador De Partos.
Útero
Que Ainda É
Fundamento Do
Grande Parto.
Útero
Que Ainda É
O Momento Dos
Grandes Nascimentos.
Útero
Que Ainda É
O Chamado Dos
Grandes Momentos.
Útero
Que Ainda É
O Chamariz
Dos Únicos Movimentos.
Útero
Que Eternamente Será
O Primeiro De Todos
Os Úteros
Mais Férteis
De Toda A Expansão
Da Obra Moldada.
Útero
Da Primeira Mãe.
Útero
Da Primordial Mãe.
Útero
Daquela Que Gritou
Primeiro
Acima De Todas
As Outras Mães.
Útero
Da Deusa Escuridão,
Mortais
& Imortais.

Nossa Mãe,
Mortais
& Imortais,
que vela por nós
dentro das
Vastas Formas
Que Pelo Infinito
Se Expandem
Dentro Do Manifestado
Útero
Que Ela Ajuda
A Tudo Moldar.

Inominável Ser
APENAS
UM SER
ENTRE TODOS
OS MORTAIS
& IMORTAIS




sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Paremos O Tempo


Drastique - Photo by K. Fuchs


Paremos O Tempo,
calando a nossa
estupidez,
sufocando a nossa
ignorância,
estrangulando os nossos
preconceitos,
estuprando os nossos
conceitos,
desmembrando os nossos
caprichos,
afogando os nossos
preceitos,
decapitando os nossos
defeitos,
desafiando os nossos
medos,
refletindo sobre nossos
ossos…

Paremos O Tempo,
buscando algum momento
harmônico,
buscando algum momento
pacífico,
buscando algum momento
tranquilo,
buscando algum momento
ordenado,
buscando algum momento
correto,
buscando algum momento
sadio,
buscando algum momento
sábio,
buscando aquele momento
feliz…

Paremos O Tempo,
chega de
disputas,
chega de
putas,
chega de
putos,
chega de
filosofias,
chega de
ideologias,
chega de
religiões,
chega de
dramas,
chega de
brigas,
chega de
opiniões,
chega de
egoísmo,
chega de
procrastinação,
chega de
tudo que nos detona…

Paremos O Tempo,
percebendo
As Luzes,
percebendo
As Trevas,
percebendo
O Kaos,
percebendo
A Ordem,
percebendo
A Verdade,
percebendo
A Mentira,
percebendo
A Destruição,
percebendo
A Construção,
percebendo
O Som,
percebendo
O Silêncio,
percebendo
A Obra Se Expandindo…

Paremos O Tempo,
se possível
agora…

Paremos O Tempo,
se possível
ontem…

Paremos O Tempo,
se possível
amanhã…

Paremos O Tempo,
se possível
sempre…

Paremos O Tempo,
se possível
abraçando Cronos
nos Leitos
De Saturno…

Inominável Ser
PARANDO
O TEMPO
NESTE
AGORA




sábado, 12 de agosto de 2017

Sombras Vingadoras


Michelle Maron - Haris Nukem


Se me compreendem
Através dos meus versos
Como um monstro,
Como um demônio,
Como desumanamente formado,
Como lixo,
Como esterco,
Como bosta,
Como lama,
Eu me vingo pensando
Que todos estão
Nas sombras.

Todos possuem as suas sombras
Possíveis,
Impossíveis,
Vigilantes,
Adormecidas,
Altas,
Baixas,
Positivas,
Negativas.

Quem me julga
Pelas minhas sombras
É julgado pelas suas
Próprias sombras.

Eu não julgo as sombras
Dos que me julgam
Pelas minhas sombras.

Eu compreendo as sombras de todos,
Pois sou poeta
Em minhas sombras.

Sombras nascidas
Quando o meu amigo Diabo
Conversa comigo
Nas noites vermelhas minhas.

Sombras nascidas
Quando o meu amigo Satan
Conversa comigo
Nas noites adversárias minhas.

Sombras nascidas
Quando o meu amigo Lúcifer
Conversa comigo
Nas noites luzidias minhas.

Sombras nascidas em mim,
Sombras minhas,
Sombras vingadoras
A vingarem-me com versos
Das sombras que me são
Inimigas.

Vingo-me da ralé que julga
Sendo uma ralé que poetiza.

Não me considero
O rei dos poemas.

Não sou
O Rei Dos Poetas.

Sou apenas
Inominável.

Sou apenas um
Ser.

Sou apenas uma
Sombra.

Sombra esmagada.

Sombra aflita.

Sombra corajosa.

Corajosa por não negar
As próprias outras
Sombras
Em si eternizadas.

Inominável Ser
SOMBRAS




quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Em Todo Pesadelo


Art by Douglas Verden


Em todo pesadelo,
A certeza do alcance da morte
Que arrasta consigo as hostes
Das tremendas forças da
Efemeridade.

Em todo pesadelo,
A crescente marca da marcha
Contra as sombras escravocratas
Detentoras dos ferrolhos da
Dualidade.

Em todo pesadelo,
A simbologia dos obscuros templos
Onde os Primeiros Magos Negros
Exercem seu Domínio
Pleno.

Em todo pesadelo,
A Voz Caótica ressoando sobre
As marés do Grande Mar
Agitadas pelos passos do Gigante
Endurecido.

Em todo pesadelo,
A história de um tormento
E de uma verdade destruidora
De cada lamento ecoado pela
Humanidade.

Em todo pesadelo,
O grito que pede passagem
Para cada corrente de mensagens
Trazidas pelos possuidores da
Chave.

Em todo pesadelo,
O Mistério Revelado da Escuridão,
Da Vida,
Da Morte
E da Luz.

Em todo pesadelo,
A Revelação do Cadáver
Do Diabo,
De Deus
E do Medo.

Em todo pesadelo,
A Realização dos Livros
De Sangue,
De Poder
E de Adeus.

Em todo pesadelo,
A Realizade dos Planos
De Lutas,
De Guerras
E de Libertação.

Em todo pesadelo,
A Maldição
Daqueles que jazem na Lama
E tentam a todo custo nadar
Nas Chamas.

Em todo pesadelo,
A Maldição
Daqueles que seguem sem mãos
Pelo mais árido Caminho
Desta Criação.

Em todo pesadelo,
A Maldição
Daqueles que sugam a Energia
Que se esconde na Fúria
Da Contestação.

Em todo pesadelo,
A Maldição
De cada um que insiste
Em abrir Caminhos
Como Destruição.

Em todo pesadelo,
A Maldição,
A Mais Eterna Maldição,
Daquilo Tudo Que É
A Mais Duradoura Libertação!

Inominável Ser
UM DISCÍPULO
DOS MALDITOS
MESTRES
PESADELOS